A sordidez das pequenas coisas

Contos. Não Editora, 2010.

Os personagens de A sordidez das pequenas coisas são pessoas comuns que exibem suas heranças de dores e conquistas, e acabam tornando-se singulares em suas trajetórias e micromundos. 20 contos que podem desde retomar o mistério dos quadros de crianças chorando do espanhol Giovanni Bragolin até construir pequenos simulacros de Cortázar e ironias metaliterárias emulando David Foster Wallace. 

Finalista Prêmio Jabuti
Fundação Biblioteca Nacional

O que foi dito sobre.

"Outro precioso conto metalinguístico é “Um tio”, onde a narrativa se desenvolve enquanto seu narrador, um escritor, analisa as possibilidades de escrever sobre um tio falecido e pouco conhecido. Nele também há uma intromissão da voz principal na forma de uma extensa nota de rodapé que questiona o próprio uso ousado da nota, lembrando um pouco o diálogo de Macedonio Fernández com o leitor em Museu do Romance da Eterna [...] Os contos de A Sordidez das Pequenas Coisas são vislumbres do cotidiano cobertos por uma fina e cinzenta camada de melancolia. E não poderia ser diferente quando o coração de suas histórias é um coração humano, ou vários corações humanos buscando preencher seus maiores silêncios com sobras de sentimentos. Corações desbotados de personagens que ficam 'a contemplar algum lugar distante, longe o bastante para não lhes animar a caminhar até lá'."

ALEX SENS FUZIY, escritor e crítico.

"Adoro a sensação de descobrir um novo autor que fará parte de minha vida. Por parte de minha vida entende-se ler tudo aquilo que ele publicar, juntar seus livros na estante, conhecer suas principais características. A sordidez das pequenas coisas marcou todos os pontos comigo. Primeiro pelo título. Sou apaixonada por livros que recebem nomes tão grandes e significativos quanto seus contos. Títulos que caminham separados das obras. Sempre lembro do espanhol Amanhã, na batalha, pensa em mim. Segundo, a edição. Cada conto tem uma foto escolhida a dedo que o acompanha, dando vida, cara, força a cada um dos personagens. E que personagens. Conheço a vários deles. De fato? Não. De direito adquirido. O bom conto faz com que personagens sejam Nossos, os nossos com distintos nomes. Assim escreve Alessandro Garcia, jovem conterrâneo, também lançado pela Não Editora. Quando me encontro com um escritor que me deixa impactada como Alessandro, tenho a sensação que, se eu fosse capaz, teria escrito algo dele. Nesse caso seriam dois dos contos publicados nessa coletânea: Subúrbio e Selmara." 

MANUELA D'ÁVILA, deputada federal.

"A sordidez das pequenas coisas, primeiro livro do gaúcho Alessandro Garcia, da Não Editora, é um murro no estômago. Você lê, perde o compasso. 'Como ele ousa…'. A sordidez das pequenas coisas é um afago.(...) É lindo ver uma técnica dessas no meio deste mundo de lixo, de textos mal construídos, de narradores vacilantes, de contos e crônicas e romances que não sabem direito pronde vão e nem por quê. Dá uma emoçãozinha ler um bom escritor, um escritor sólido, relevante, complexo, construir uma boa história bem na sua frente. Quando um artesão como o Alessandro permite que seu narrador conte a história, cada uma das histórias do livro, sem sumir no meio delas, mas sem fazer malabarismos de estilo, é prova de maturidade. Você lê e diz baixinho para o gato, 'Esse cara sabe o que está fazendo'. Uma literatura feita de instantes que cobrem toda uma, várias vidas, vários caminhos, mais de uma trilha, mais de uma encruzilhada. Os parágrafos são longos, os dias também. A repetição das personagens, a sutileza, o ar que falta. Somos tão sórdidos, tão humanos, tão pequenos. Um grande livro." 

FAL AZEVEDO, escritora e tradutora.

"O grande apequenado também está nos contos de Garcia. O oitavo conto, Selmara, foi saborosamente temperado com Nelson Rodrigues, nosso maior mestre em escrever a vileza das supostas bondades e a nobreza dos despudorados. Selmara, um dos melhores contos do volume, tem muito do amor ao qual nenhum outro qualificativo é apropriado senão o de quase-amor - uma desqualificação da que se pretende a mais nobre das virtudes. Um casal, Selmara e o narrador, convivem. Apenas. 'Sem troca de palavras muito profundas, íamos sempre e sempre nos entendendo, nos usando, servindo um do outro, naquela troca sem fim e, parecia, sem grandes conseqüências.'"

GUILHERME MONTANA, crítico.

"Este é o primeiro livro de contos de Alessandro, embora ele escreva como veterano e dos bons. É incrível a força do primeiro livro de contos de um autor quando ele é do ramo. Eu diria que todos os contos que ele escreverá pelo resto da vida estão dentro deste primeiro. (...) Os contos vêm com uma força incontrolável que depois, com o passar do tempo, ele vai modulando. E o jorro de Alessandro é avassalador e nos faz cair de quatro aos seus pés. Uma linguagem densa, requintada porém sem afetação. Literatura do mais alto nível. Literatura de quem lê muito e lê bem. (...) Seu conto Antes da noite chegar, onde ele fala de um escritor frente à página em branco, deveria ser leitura obrigatória em todas as oficinas literárias do país. É genial."

IVANA ARRUDA LEITE, escritora. 

"A relevância do volume que o leitor tem nas mãos está justamente na habilidade demonstrada pelo autor ao amplificar a trivialidade de seus personagens, traduzindo-a com generosidade e encantamento em matéria viva, rica e profunda. Alessandro Garcia descreve pequenas obsessões, traumas domésticos e aparentes irrelevâncias do dia a dia com profundidade e singeleza, construindo, com engenhosidade, universos distintos e complexos a partir de compostos repletos de simplicidade, valendo-se de elementos de lembrança pessoal e memória coletiva." 

AUGUSTO SALES, escritor e editor. 

"Em seu primeiro livro 'solo', Alessandro Garcia mostrou sua capacidade de perceber grandes tramas em pequenos universos. Como bom observador, colocou em seus contos aquilo que todos vêem diariamente e mal notam. Uma prova de que a inspiração pode estar debaixo de seus olhos em tempo integral. Basta saber moldar o que se vê. E em A Sordidez das Pequenas Coisas, esse cotidiano de tramas cheio de segredos e decadência está bem representado."

TAIZE ODELLI,  crítica. 

"Seus contos têm uma linguagem exaustivamente burilada até chegar ao estágio de um texto rigoroso, que se lê com fluência. Seus temas – olhares ao mesmo tempo ternos e duros sobre questões raciais e pobreza – transformam detalhes do cotidiano em iluminuras da brutal sociedade contemporânea. Em Veja Bem, Não Vamos Perder a Oportunidade, um pai entra em conflito com a mulher ao pregar uma diatribe de cunho político para sua filha pequena. Em Pelo Alívio dos Enfermos, a esposa de um homem com a pele cheia de feridas começa a receber cartas incitando-a a se livrar dele."

CARLOS ANDRÉ MOREIRA,  jornalista.

"Não lhe falta a habilidade do narrador, tampouco a inventividade para fixar no espaço ficcional identidade reelaborada a todo instante: jogo que nos arremessa em um labirinto ou em um sonho. Sobretudo em narrativas como Vãos, Decágono e Epifania." 

MARIEL REIS, escritor. 


"Você e eu sabemos que a dificuldade da forma breve é convencer com pouco, e só por isso o conto se prende a tantos cânones que, ao longo dos anos, seguem sinalizando o que funciona e o que deve ser evitado, com o propósito único de seduzir quem o lê. De tempos em tempos, contudo, aparece alguém tentando se libertar destas amarras. No mais das vezes, o resultado é o naufrágio. Mas pode também dar certo. É o caso de Alessandro Garcia." 

LUIZ PAULO FACCIOLI, escritor e crítico literário. 

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