Ficção de Polpa Vol. 1

Coletânea. Contos. Não Editora. 2007. 

Conto Vãos.

Aos escritores aqui presentes, foi feita uma proposta: criar um conto de horror, ficção científica ou fantasia com completa liberdade temática. 

Sobre o retrato, o que impressiona é a sua atmosfera de proximidade tamanha conduzindo a uma espécie de suspensão de juízo, de não querer prosseguir a olhar, mas sentindo-se atraído. Um menino de cabelos avermelhados chora em primeiro plano, o rosto encarando em nossa direção, envolto no que deve ser um casaco de lã crua, castanho e repleto de volteios. As pontas lembram labaredas e a dificuldade de se distinguir o cenário que se forma às suas costas provavelmente é o que mais impressiona conforme seguimos mirando.

O que foi dito sobre.

"Vãos, de Alessandro Garcia, é a narrativa mais extensa da coletânea. A história, também ambientada no sul, tem um ritmo mais lento, menos apressado. A história de um homem que passa as férias com esposa e filho na casa de fazenda e tenta fazer com que a vida transcorra normalmente, apesar dos problemas e angústias que ficam sempre por ser ditas, num segundo plano perigosamente próximo de virar primeiro, é uma narrativa gótica bem disfarçada. A pretensa influência de um quadro macabro sobre o comportamento do filho, que nunca é explicitada de modo concreto, paira o tempo todo no ar, criando uma ameaça que pode ser sobrenatural ou não - mas será que a origem do mal importa quando ele se faz presente? Ótima narrativa."

FÁBIO FERNANDES,  crítico.

"O melhor dentre os brasileiros deve ser Vãos, conto mainstream de Alessandro Garcia, com algo de sobrenatural bem embutido em parágrafos em fluxo de consciência, narrados por um médico em férias numa casa de campo com a família. Depois de um estranho e enigmático incidente envolvendo um incêndio de um casebre (no qual, aparentemente, um homem sacrificava uma menina num ritual), o narrador e seu filho passam a sofrer sombrias alterações de comportamento. Pode ser chamado de conto gótico, e me lembrou outro exemplo sulista, a ótima novela de Tabajara Ruas, O Fascínio (1996)."

ROBERTO DE SOUZA CAUSO, crítico.

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